Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Reunião do grupo de mães, pais e bebês na praça!

O CONVITE:


Saudações maternais!

Infelizmente, não tivemos reunião do grupo de mães, pais e bebês no mês de junho por causa dos feriados, festas, viagens e festejos juninos. Mas, agora em julho, já sinto saudade dos nossos encontros! Pra quem ainda não conhece o grupo, leia aqui no blog e participe!

Esse fim de semana fui à praça Ana Lúcia Magalhães com minha filha e vi o potencial que essa praça tem para um ótimo encontro do nosso grupo! É um ambiente super familiar, divertido e uma ótima oportunidade para os nossos filhos terem contato com a natureza! Para os bebês que ainda não andam é um bom local para passear com o carrinho ou com o sling!

Para animar ainda mais esse encontro convidei a profa de musicalização infantil, Angelita Broock, para fazer uma aula aberta de música na praça! Além disso, vamos conversar e curtir a tarde ao ar livre!

As informações práticas são:
Data: 11 de julho, sábado
Hora: 16h
Local: Praça Ana Lúcia Magalhães (Fim de linha da Pituba)
Atividade: Aula de musicalização infantil e bate papo.
O que levar: toalhas para sentar, lanche, água e é bom levar brinquedos (lá tem alguns, mas são pagos: cama elástica, piscina de bolas e velotrol)

Dessa vez o encontro é aberto mesmo!
Quem quiser mais informações pode me escrever: nausmota@yahoo.com.br
Vejo vcs lá!

O ENCONTRO:
Nossa roda musical!

Cada encontro do grupo é primeiro um sonho e uma idéia na minha mente maternal, depois, graças a essas mães e mulheres, torna-se realidade. A cada encontro eu aprendo novas possibilidades, eu confirmo minhas utopias e me surpreendo com a realidade!

Bate papo maternal!

Eu me surpreendo com os pais que somos, com a nossa capacidade de partilhar, de se encontrar, de ir praça num fim de tarde e sentar na grama e sorrir à toa! Eu me surpreendo com o fato de nós sermos muitos e a cada encontro aparecem mais pais! Eu me surpreendo com os nossos filhos atentos à música, capazes de conviver em grupo e brincar com as coisas boas da vida! E essas são surpresas tão boas!

Dança e música na roda e a minha "claridade" ali no meio!

A cada encontro eu aprendo uma nova lição, nesse encontro aprendi que nós começamos a vida assim, como os nossos filhos, apreciando a vida ao ar livre, a música no fim de tarde, a comunidade reunida, a brincadeira mais simples... É só acreditar que tudo isso ainda existe dentro da gente e que podemos sonhar e realizar! Sonhar, reunir e realizar, porque, como já dizia o poeta: "sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade!"

Agradecimento especial à profa. Angelita
Agradecimentos maternais a todos!

Nossos artistas e educadores!

Domingo, 5 de Julho de 2009

Crescendo...


Ela está crescendo... E ainda é tão criança!



Uma criança que nos fez crescer como pessoas e pais.
E quando a gente vê nela a menina dançando a vida...



Ela lança esse olhar da mulher que será um dia!
Mas, por enquanto, é a nossa menina!

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Grupo de mães, pais e bebês


Em maio tivemos duas reuniões do grupo de mães, pais e bebês. A primeira dia 23 de maio, foi o reencontro do grupo do ano passado (2008) e a segunda, dia 30 de maio, foi o começo de um novo grupo. Foi interessante observar esses dois grupos, cada um no seu momento, mas todas as mães com a mesma necessidade de partilhar e conviver.

A reunião do dia 30 de maio foi na Brinquedoteca Engenhoca, escutamos a pedagoga Fabiana Dantas, coordenadora da brinquedoteca, apresentar a proposta desse espaço. Na partilha do grupo discutimos as opções antes da pré escola, o melhor momento para o início da vida escolar, as alternativas para quem deseja esperar até os três anos para colocar na escola, as relações entre família, creche e babá. Enfim, sentimentos, experiências e opiniões para cada família pensar e fazer as suas escolhas com maior consciência.

Foram dois encontros maravilhosos! No 1o foi bom rever as amigas e mães que caminharam comigo em 2008 e ainda conheci Camila do blog: Caminho Trilhado que fez um bonito depoimento sobre o grupo. No 2o senti o desejo e o incentivo das novas famílias que se juntaram ao grupo!

Agradeço a presença de todas as famílias! Em especial, agradeço o espaço e a contribuição de Fabiana Dantas, a presença carinhosa e competente de Ana Graça (Gravi 10), a divulgação e a presença de Andréa e Patrícia da OCA e do Cininar e a divulgação e a presença de Mariana (Blog Pequenópolis).

Em Junho os grupos se reencontram para refletir novos temas, partilhar e conviver.
Para participar basta atender as seguintes condições:
  • Ser mãe/ pai com desejo e disposição para partilhar, aprender e conviver em grupo.
  • Ser mãe/pai com filho na faixa etária de 0 - 12 meses (grupo 1) ou de 1 a 2 anos (grupo 2).
Quanto à inscrição e a proposta do grupo:
  • O grupo reúne uma vez por mês e é um espaço de aprendizado e convivência para os pais e as crianças.
  • As reuniões podem incluir apresentação de um tema por um profissional, debate e partilha no grupo ou experiência de uma atividade em família.
  • É necessário a inscrição antecipada de cada família.
  • Coordenação e inscrição com Nádia: nausmota@yahoo.com.br

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Eu me Rendo! (Danuza Leão)

Agradeço à Camila (blog: Caminho Trilhado) pela divulgação desse texto, valeu! Gostei da sinceridade e da crítica do texto, é pra fazer pensar e libertar todas nós!

Eu me rendo! (Danuza Leão)

"Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.

Uma das mentiras: É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.

É muito simples: não podemos .

Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante ..

Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?

Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos.

Ah, quanta mentira!

Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison.

Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.

Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro.

Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.

É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour.

Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.

Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido.

Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo.

E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver . Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver: ar, água e pão.

Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.

Parabéns para quem consegue fingir tudo isso..."

Foto retirada de Globo.com
Nós precisamos deixar de ser (ou de querer ser) mulher-maravilha
para ser, simplesmente, mulheres maravilhosas! A foto aqui diz tudo!

Dia das mães 2009

Esse foi meu 3o dia das mães com Ana Clara, no 1o ela estava no ventre, no 2o era uma recém nascida nos meus braços e, agora, ela está por toda parte! No 1o eu escutei os meus sonhos sobre ser mãe, no 2o os seus sons e choro e neste 3o dia das mães escutei um carinhoso: "mamã"!

A cada dia ela me dá de presente a maternidade e a possibilidade de amadurecer como mãe. Mas, no dia das mães, ser mãe de uma menina reserva surpresas maternais! De repente, num doce faz de conta, encontro Ana Clara na sala "alimentando" seus "nenéns"!

E ficamos as duas ali, ela brincando de ser mãe e eu deixando a mãe brincar, as duas numa cumplicidade feminina, num aprendizado ancestral... E senti uma mistura de saudade do meu neném que cresce e de esperança pelos nenéns de amanhã! Feliz dia das mães!

Ana Clara alimentando seu "neném"!

Ana Clara descansando depois de alimentar todos seus nenéns! Ufa!

2a sessão do Cininar

Amigas juntas nessa novidade!

É bom ver nascer a novidade e o novo no Cininar está por toda parte! Está nas pessoas, a princípio desconhecidas, que vão se espalhando como crianças pelo chão, se aconchegando nas cadeiras e compartilhando o filme e os filhos, de repente, já são conhecidos! É a mãe daquele, o pai do outro, todo mundo vai ganhando nome e rosto como as estrelas na tela.

É bom ver a sala do cinema se transformando em um filme de comédia, uma sessão da tarde com enredo familiar, um filme autobiográfico, onde cada um assiste a si mesmo olhando os outros.

É bom fazer do cinema o cenário para contracenar com outras famílias as nossas histórias da vida real. E vendo ali, lado a lado, a vida e o filme é fácil perceber como a vida real é pura arte que emociona, alegra e faz pensar... É bom Cininar!

Próxima sessão: 25 de julho às 10h, na Sala de Arte e Cinema da UFBA.
Informações, fotos, textos: http://www.cininar.blogspot.com/

Ana Clara conhecendo o cinema

A "pipoca" desse cinema é o leite!

Domingo, 19 de Abril de 2009

1a sessão do Cininar


Foto de Andra Viana

"Cininar, cinema para mães, pais e bebês" quando li a proposta no blog do Cininar nem acreditei! Parecia aqueles eventos que a gente acompanha pela internet ou fica sabendo que aconteceu lá em São Paulo ou no Rio e fica com vontade que aconteça em Salvador também. Salvador tem essa coisa de não ter pressa para as novidades, porque aqui o novo acontece assim sem formalidades, sem mega planos, simplesmente, acontece e depois é que a gente formaliza, explica e compreende o que aconteceu! Ah! E se explicar demais perde a conexão com a alma dessa cidade, então, muita coisa aqui tem que experimentar e sentir, foi assim que aconteceu o Cininar.

Quando cheguei no estacionamento da Faculdade de Educação, próximo à Sala de Arte da UFBA, eu ainda não conseguia visualizar como seria esse cinema com os bebês, a minha cabeça ainda tentava processar a idéia, mas o coração entendeu logo quando viu, no meio daquele cenário acadêmico, no meio dos estudantes, algumas mães com seus slings e bebês no colo, sorrindo, chegando, se reunindo, mudando a cena, trazendo para aquele espaço acadêmico e patriarcal uma presença maternal, forte e consciente. Foi lindo de ver! Foi como ver naquela paisagem cinza uma cor e melhor ainda, fazer parte disso!

No cinema, mães, pais e bebês eram cúmplices e eram uma comunidade. O que vi foi realmente uma novidade, porque o esforço comum não era no sentido de conter ou silenciar as crianças para ver o filme, mas de compartilhar com elas aquele momento. E, de repente, as crianças estavam interagindo também com o filme, acompanhando a trilha sonora, batendo palmas ou dançando, explorando o espaço do cinema, respeitando o interesse dos adultos e o clima era de tranqüilidade e respeito mútuo.

O Cininar, assim como os grupos de mães, as pequenas comunidades, as ONGS que conscientizam sobre a gestação e a maternidade consciente, os blogs de mães que botam a boca no mundo e tantas outras iniciativas são a construção de um novo modelo de m(p)aternidade mais humano, sensível e integrado. Enfim, questões sociais e vontade de mudar o mundo à parte, meu coração maternal está feliz porque foi a primeira vez que Ana Clara foi ao cinema!

Parabéns à equipe da OCA - Oficina de Cultura e Arte pela realização do Cininar! Agradecimentos maternais à vocês!

Para ler um ótimo texto sobre o Cininar é só acessar o blog Pequenópolis e para ver fotos desse evento é só acessar o blog do Cininar.

Foto de Andra Viana

Veja aqui o vídeo do dia da estréia:

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Maria Rita canta CRIA



Cria
Maria Rita

Composição: Serginho Meriti/Cesar Belieny

Crescendo foi ganhando espaço
Pulou do meu braço
Nasceu outro dia e já quer ir pro chão
Já fala mãe, já fala pai
Já não suja na cama
Não quer mais chupeta
Já come feijão
E posso até ver os meus traços nos primeiros passos
Tropeça e seguro e não deixo cair
Se cai, levanta, continua
A porta da rua fechada
Criança não deixo sair
Da linha, da linha

Reflexo no espelho leva à emoção
A lágrima ameaça do olho cair
Semente fecundou
Já começa a existir

É cria, criatura e criador
Cuida de quem me cuidou
Pega na minha mão e guia

Outro dia eu estava no meio de um dia qualquer, na correria, no transito, na rotina... E, de repente, escutei Maria Rita cantando sua "Cria". Que emoção! Coisa boa poder escutar uma mulher cantar a sua maternidade... Sons e poesia para essas sensações que costumam ficar em silêncio.

Domingo, 22 de Março de 2009

Musicalização infantil

1a aula de música!

Esse ano começamos a participar das aulas de musicalização infantil do projeto MUSICALIZAR, um curso de extensão da UFBA, coordenado pela profa. Angelita Broock Schultz.

Pra postar sobre essa experiência não é fácil! Como traduzir em palavras uma experiência musical e tão lúdica? Eu queria cantar essa experiência pra vocês ou fazer poesia sobre esses momentos especiais, mas ainda está no plano da sensação e não das palavras, por isso, coloco aqui um pouco da teoria e alguns dos meus sentimentos na prática.

TEORIA:

"Em relação aos conceitos musicais, as crianças vivenciam elementos como: pulsação, andamento, intensidade, alturas, som, silêncio, timbre, forma musical, exploração de sons através da execução de instrumentos e do próprio corpo, além de apreciação. Todos estes conceitos são trabalhados de forma intuitiva e lúdica. Em relação a outras habilidades, as crianças trabalham: socialização, respeito, psicomotricidade, regras, reconhecimento das partes do corpo, coordenação motora, entre outra coisas". (Angelita Broock)

Objetivos da aula segundo a profa. Angelita:
  • Auxiliar na relação afetiva entre os pais e seus filhos.
  • Estimular as competências e habilidades musicais.
  • Proporcionar aos pais elementos que podem ser trabalhados facilmente em casa, com o intuito de reforçar os conteúdos aprendidos em aula e propiciar um elemento a mais na relação entre pais e filhos.
  • Transmitir o conhecimento musical através do canto, movimento, criação, improvisação e execução musical para crianças da comunidade e suas famílias.
  • Desenvolver a percepção musical das crianças.
PRÁTICA:

Vejo naquela roda de pais e filhos o retorno à tribo humana que esquecemos em nome da "civilização", o retorno às cantigas de roda, as palmas que aquecem por dentro, os ritmos que acordam a alma, o sorriso solto dos adultos e a alegria generosa das crianças.

Me sinto assim na aula de musicalização, como se estivesse numa noite de lua cheia na tribo, onde ressurgem as maracas, os pandeiros, as danças tribais, as histórias contadas na roda, os pais e os filhos dançando e celebrando juntos e a presença serena e mística de Angelita.

Em termos de musicalidade, de como deve nascer e ser a música, nós aprendemos mais com as crianças do que ensinamos. Ali, naquela roda, o que podemos ensinar a elas é como ser COMUNIDADE num mundo de individualidades, podemos ensinar essa experiência , quase esquecida, de estar junto de forma leve, livre e lúdica, o resto da aula é só a gente aprendendo com eles!

Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Pai & filha num dia qualquer e sempre

Não é dia dos pais e nem precisa ser, olhando as fotos que o meu olhar insiste em tirar de papai e Ana Clara deu vontade de registrar aqui (mais uma vez!) essa relação dos dois. Como sou mãe e não pai vou recorrer as palavras e a vivência de Rubem Alves (Texto completo: O Pai) para falar dessa relação.



"Pois eu não tinha intenção alguma de escrever sobre o dia dos pais. Mas, de repente, passando os olhos num livro que uma amiga me enviou, encontrei a seguinte afirmação: “Tomar uma decisão de ter um filho é algo que irá mudar sua vida inteira de forma inexorável. Dali para frente, para sempre, o seu coração caminhará por caminhos fora do seu corpo.“

Aí as idéias puseram a se movimentar por conta própria. Pensei na minha condição de pai. É verdade: pai é alguém que, por causa de um filho, tem sua vida inteira mudada de forma inexorável. Isso não é verdadeiro do pai biológico. É fácil demais ser pai biológico. Pai biológico não precisa ter alma. Um pai biológico se faz num momento. Mas há um pai que é um ser da eternidade: aquele cujo coração caminha por caminhos fora do seu corpo. Pulsa, secretamente, no corpo do seu filho (muito embora o filho não saiba disto).



Lembrei-me dos meus sentimentos antigos de pai, diante dos meus filhos adormecidos. Veio-me à mente a imagem de um “ninho“. Bachelard, o pensador mais sensível que conheço, amava os ninhos e escreveu sobre eles. Imaginou que, “para o pássaro, o ninho é indiscutivelmente uma cálida e doce morada. É uma casa de vida: continua a envolver o pássaro que sai do ovo. Para este, o ninho é uma penugem externa antes que a pele nua encontre sua penugem corporal.“ Era isso que eu queria ser. Eu queria ser ninho para os meus filhos pequenos. Queria que meu corpo fosse um ninho-penugem que os protegesse, um ninho que balança mansamente no galho de uma árvore ao ritmo de uma canção de ninar...


Que felicidade enche o coração de um pai quando o filho que ele tem no colo se abandona e adormece! Adormecida, a criança está dizendo: “tudo está bem; não é preciso ter medo“. Deitada adormecida nos braços-ninho do seu pai ela aprende que o universo é um ninho! Não importa que não seja! Não importa que os ninhos estejam todos destinados ao abandono e ao esquecimento! A alma não se alimenta de verdades. Ela se alimenta de fantasias. O ninho é uma fantasia eterna. Jung deveria tê-lo incluído entre os seus arquétipos! “O ninho leva-nos de volta à infância, a uma infância!“ (Bachelard). Aquela cena, a criança adormecida nos braços do pai, nos reconduz à cena de uma criancinha adormecida na estrebaria de Belém! Tudo é paz! Desejaríamos que ela, a cena, não terminasse nunca! Que fosse eterna!


É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de uma criança. É impossível calcular a importância desses momentos efêmeros na vida de um pai. O efêmero e o eterno abraçados num único momento! “Conter o infinito na palma da sua mão e a eternidade em uma hora“: o pai que tem o seu filho adormecido nos seus braços é um poeta! Essas palavras do poeta William Blake bem que poderiam ser suas. Um homem que guarda memórias de ninho na sua alma tem de ser um homem bom. Uma criança que guarda memórias de um ninho em sua alma tem de ser calma!

Mas logo o pequeno pássaro começará a ensaiar seus vôos incertos. Agora não serão mais os braços do pai, arredondados num abraço, que irão definir o espaço do ninho. Os braços do pai terão de se abrir para que o ninho fique maior. E serão os olhos do pai, no espaço que seus braços já não podem conter, que irão marcar os limites do ninho. A criança se sente segura se, de longe, ela vê que os olhos do seu pai a protegem. Olhos também são colos. Olhos também são ninhos. “Não tenha medo. Estou aqui! Estou vendo você“: é isso o que eles dizem, os olhos do pai.



O que a criança deseja não é liberdade. O que ela deseja é excursionar, explorar o espaço desconhecido – desde que seja fácil voltar. Tela de Van Gogh. É um jardim. No lado direito do jardim, mãe e criança que acabam de chegar. Ao lado esquerdo o pai, jardineiro, agachado com os braços estendidos na direção do filho. É preciso que o pai esconda o seu tamanho, que ele esteja agachado para que seus olhos e os olhos do seu filho se contemplem no mesmo nível. A cena é como um acorde suspenso, que pede uma resolução. É certo que o filho largará a mão da mãe e virá correndo para o pai... E a fantasia pinta a cena final de felicidade que o pintor não pode pintar: o pai pegando o filho no colo, os dois rindo de felicidade...


O tempo passa. Os pássaros tímidos aprendem a voar sem medo. Já não necessitam do olhar tranquilizador do pai. É a adolescência. Ser pai de um adolescente nada tem a ver com ser pai de uma criança. Pobre do pai que continua a estender os braços para o filho adolescente, como na tela de Van Gogh! Seus braços ficarão vazios. Como se envergonharia um adolescente se seu pai fizesse isso, na presença dos seus companheiros! É o horror de que os pássaros companheiros de vôo o vejam como um pássaro que gosta de ninho! Adolescente não quer ninho. Adolescente quer asas. Os ninhos, agora, só servem como pontos de partida para vôos em todas as direções. Liberdade, voar, voar... A volta ao ninho é o momento que não se deseja. Porque a vida não está no ninho, está no vôo. Os ninhos se transformam em gaiolas. Se eles procuram os olhos dos pais não é para se certificar de que estão sendo vistos mas para se certificar de que não estão sendo vistos! Aos pais só resta contemplar, impotentes, o vôo dos filhos, sabendo que eles mesmos não podem ir. Nos espaços por onde seus filhos voam os ninhos são proibidos. Mas eles terão de voltar ao ninho, mesmo contra a vontade. E o pai se tranquiliza e pode finalmente dormir ao ouvir, de madrugada, o barulho da chave na porta: “Ele voltou...“


Mas chega o momento quando os filhos partem para não mais voltar.

Através da minha janela vejo um ninho que rolinhas construíram nas folhas de uma palmeira. A pombinha está chocando seus ovos. Vejo sua cabecinha aparecendo fora do ninho. Mas numa outra folha da mesma palmeira há um outro ninho, abandonado. Esse é o destino dos ninhos, de todos os ninhos: o abandono.

Gibran Khalil Gibran escreveu, no seu livro O Profeta, um texto dedicado aos filhos. Não sei de cor suas precisas palavras. Mas vou tentar reconstrui-las. É aos pais que ele se dirige. “Vossos filhos não são vossos filhos. Vossos filhos são flechas. Vós sois o arco que dispara a flecha. Disparadas as flechas elas voam para longe do arco. E o arco fica só.“

Esse é o destino dos pais: a solidão. Não é solidão de abandono. E nem a solidão de ficar sozinho. É a solidão de ninho que não é mais ninho. E está certo. Os ninhos deixam de ser ninhos porque outros ninhos vão ser construídos. Os filhos partem para construir seus próprios ninhos e é a esses ninhos que eles deverão retornar.

Assim é na natureza. Assim é com os bichos. Deveria ser conosco também. Mas não é. Quem é pai tem o coração fora de lugar, coração que caminha, para sempre, por caminhos fora do seu próprio corpo. Caminha, clandestino, no corpo do filho. Dito pela Adélia: “Pior inferno é ver um filho sofrer sem poder ficar no lugar dele.“ Dito pelo Vinícius, escrevendo ao filho: “Eu, muitas noites, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua...“

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora.

Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira...

Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo...
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