

Clique nas fotos e sinta o absurdo!
Me disseram: "aproveita que eles crescem rápido!" Eu até acreditei, mas não sabia que esse "rápido" era assim urgente, não sabia que esse tempo era a todo instante, a cada minuto um novo movimento, a cada mês uma revolução!
Mãe aprende a conviver com o absurdo! É absurdo para consciência viver a simbiose dos nove meses, a dependência completa, e, depois, ver aquele ser de dentro desafiando o mundo aqui fora! Saindo do seio, da saia e dos sonhos da mãe... Tornando-se real em tão pouco tempo! Cada nova etapa, cada detalhe de independência é coisa que a mãe sente no peito e na pele. É o umbigo que entra e esquece o cordão, o corpo que endurece no colo, o rosto que se distrai e desvia do peito, os pés que pisam firme, as mãos que ganham o mundo...
Mãe, mãe, mãe... E o pai? O pai começa a relação somando ganhos, ele ganha o filho quando nasce. A mãe começa a relação por um paradoxo de perdas e ganhos. Perde a intimidade uterina, perde a conexão umbilical e depois (de preferência bem depois!) perde os momentos de amamentação. São relações igualmente importantes, mas totalmente diferentes e aqui é desabafo de mãe!
Nesses dias nossa novidade são as papinhas e suquinhos que, agora, dividem a dieta com o leite materno. Hummmm! Papinhas e suquinhos, acho que as pessoas já colocam tudo de criança no diminutivo pra diminuir a intensidade dos sentimentos. Sim, porque o seio sente saudade, sente a insegurança de sua criança o esquecer antes da hora, sente que chegou o tempo de outros sabores ou será que é o meu seio que sente demais?
Ana Clara deu esse salto insano de recém nascida para senhorita sabe-tudo, olhos sempre atentos, pouco choro, pouca manha, independente que só ela! Eu achando que os bebês eram aqueles rostinhos que apareciam no meio dos panos nos braços de alguém... E ela me ensina que é esse rosto aceso no meio do mundo que os meus braços ainda se esforçam para conter. Apesar da saudade, "quero ver-te crescer!"
Desenho lindo de Ana Oliveira"Estou dando a você a liberdade. Antes, rompo o saco d'água. Depois, corto o cordão umbilical. E você está vivo por conta própria." (Clarice Lispector)













1 comentários:
Só do São João para cá: cresceu o cabelo, a bochechinha, o rostinho está mais comprido...
Que toda a saúde do mundo acompanhe seu pedacinho virando pedação de gente. Amém :)
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