Nos preparativos para o batizado de Ana Luisa tenho pensado muito nos padrinhos que escolhemos e no significado do Batismo. Acredito que os amigos que escolhemos para "apadrinhar" nossas filhas sabem o quanto gostamos deles e como fazem parte da nossa história e da nossa família, mas faltava expressar em palavras, faltava deixar aqui registrado para as nossas filhas o que cada um deles significa e o que eu espero que eles possam transmitir à elas além da fé.
Os padrinhos de Ana Clara (Batismo de Ana Clara) são a nossa síntese como casal e como pessoas, representam tão bem nossas personalidades, nossa caminhada espiritual, nossos valores e nossa história. Eu acho que eles simbolizam o que nós somos e tudo que ajudou a nos construir até o momento do nascimento da 1o filha. Os padrinhos de Ana Luisa nos lançam para o futuro, para o ideal, para o que queremos ser. Eles também marcam aquilo que nós aprendemos com a m(p)aternidade, são como frutos que colhemos desde que nos tornamos pais.
Sempre pensei em duas missões para os padrinhos, transmitir a nossa fé e revelar às nossas filhas quem somos. Revelar sem a pretensão de revelar, revelar nas entrelinhas, naquilo que eles são, na presença real e nas utopias que nos inspiram. Vou falar um pouco do que eu vejo neles e espero que nossas filhas vejam isso e muito mais.
Dinda Paty (Madrinha e Ana Clara) é família, é acolhedora, eufórica, incansável, é uma das poucas pessoas que dá "pulinhos de alegria" com as minhas ideias (rsrsrs), ela é ingenuamente feliz como eu gostaria de ser! Aliais, uma parte importante do que eu sou como "gente grande" foi inspirado em Paty porque ela foi nossa primeira amiga a casar, a ter apartamento próprio, a ter filho, a tornar-se adulta... Ela é sempre uma pioneira e de forma tão leve e feliz que faz a gente acreditar que tudo é muito fácil e possível! Eu espero que ela ensine a casa cheia, a sua generosidade, a sua disponibilidade, as suas ideias mais criativas! E ensine, principalmente, seu jeito de ser feminino e maternal.
Dindo Anderson (padrinho de Ana Clara) é razão e coração em constante conflito e resolução! Ah! Eu adoro a confusão interna dele! (rsrsrsrs), mas na superfície ele não aparenta nada disso! Parece calmo, sólido, sereno, quase distraído e ele é tudo isso também! Espero que ele ensine a boemia, a aventura mundo à fora, o papo cabeça mais denso, as músicas mais lindas e poéticas, a sabedoria de recomeçar sempre, de saber se refazer e manter a sua essência, exatamente como eu o vi fazer desde menino!
Dinda Fabi (madrinha de Ana Luisa) é serena, suave, capaz de passar por um sufoco sem perder a paz, quer dizer, ela acha que perde a paz, mas, mesmo assim, consegue transmitir sempre essa sensação de serenidade. Quando eu "crescer" quero ser como ela! Porque nela eu vejo lucidez e inocência integrados, ela se permite conflitos e limites sem deixar de ser feliz e serena. Ela me ensinou, e espero que ensine às meninas, um jeito de ser "maternal realista".
Dinda Paulinha (madrinha de consagração à N. Sra. de Fátima de Ana Luisa) é dinâmica, alegre, transpira ideias, experiências maternais, papo cabeça e é uma educadora de corpo e alma! Paulinha é uma dessas pessoas que a maternidade me deu de presente e eu descobri nela uma amiga lúcida, feminina, maternal a ponto de ter a mesa sempre posta! Eu aprendi com ela a solidariedade feminina, a possibilidade de ensinar e aprender, o bate papo fácil sobre qualquer assunto, a fala firme, cheia de suas convicções e o sorriso largo!
Dindo Bito (padrinho de Ana Luisa e padrinho de consagração à N. Sra. de Fátima de Ana Clara) é nosso padrinho de tudo! Padrinho de casamento e padrinho das duas filhas! Ele é o nosso filho mais velho! Inclusive, lembro que no início do nosso namoro Bito estava sem namorada, numa de suas fases "ninguém me ama" e ele era como um amigo-filho, éramos um triângulo fraterno-amoroso! Nessa época, Bito era um fator de união e de preservação das nossas individualidades, a primeira síntese ambulante de tudo que somos. Ele é a interseção entre o meu jeito de ser e o jeito do papai, ele é o papo cabeça misturado com a brincadeira constante, ele é a carência e a autossuficiência em pessoa, ele é um romântico incurável e, ao mesmo tempo, um realista, uma pessoa plural e inteiro. Acho que ele pode ensinar essa lição às nossas filhas de que é possível ser tudo de forma integrada.
Eu acho que a melhor forma de se conhecer e se "guardar" é através das pessoas, pessoas que nos revelam, que marcam nossa trajetória, que nos inspiram, que contam a nossa história, que podem nos revelar às nossas filhas sempre que a gente for insuficiente ou incompleto. Ninguém se basta, ninguém se faz pai e mãe sozinho, a m(p)aternidade é necessariamente coletiva, é o evento que nos "descentra" e, por isso, nos conecta com outras pessoas além dos próprios filhos. Agradeço sempre a presença desses amigos irmãos em nossas vidas! Amém!













3 comentários:
Eita, minha amiga! Estava eu aqui, sereno, sentindo meu filho chutando na barriga da mamãe com uma mão e colocando a leitura em dia no computador e PIMBA! Vc me vem com uma dessas? Deixa eu pegar um fôlego, peraê!
É meio doida essa história de ser padrinho. Não me sinto capaz nem digno de tanta graça em minha vida. Mas tem coisa que acontece com a gente que não dá pra explicar mesmo. É dizer aquele SIM gigante, matar no peito e assumir a responsa.
Além dessas coisas que vc falou bonito aí no post, me proponho a ensinar uma coisa para seus filhos, meus afilhados, e que tento, de forma leve, ensinar pra vcs também: REINVENTEM-SE! Se tá tudo complicado, para tudo e começa de novo. Se tá tudo indo bem, experimenta e faz umas doideiras diferentes, pq não?
Quando eu falei para uma ex-chefe que iria pedir demissão de um super-cargo que tinha em São Paulo, numa super-empresa, para tentar a sorte em Brasília, ela falou: "Mas você não tem medo de nada não, é?". E eu respondi à época: "Não".
Na verdade, na verdade, medo eu até tenho. Mas mais do que medo eu tenho fé e tenho "régua e compasso", dados por meu pai e minha mãe. Tenho exemplos vindos dos meus amigos e tenho apoio da minha esposa. Com um time desses, o medo fica pequenininho, né?
E é assim que eu aceito mais essa missão de ser uma luzinha na vida de minhas "dindas" lindas... doido de vontade de matar essa saudade de morar mais pertinho de vcs, de retomar nossas brincadeiras e nossas conversas... falta pouco!!!
Nau,
Que coisa mais linda é essa? Passou um filme na minha cabeça de todos os momentos que a gente compartilhou desde o nascimento das nossas primogênitas (rs). A maternidade é um dom maravilhoso, mas a possibilidade de vivermos isso de forma compartilhada é algo que não tem preço. Quantas angústias, medos, dúvidas foram acalmados com nossos encontros e bate papos. E quantos momentos felizes vivemos juntos! Foi realmente emocionante relembrar tudo isso revendo estas fotos. Só uma pessoa especial como você pra tornar tudo isso possível.
A chegada de Ana Luisa é mais um capítulo nesta história linda. É um privilégio muito grande ter sido escolhida para ser a dinda desta princesinha. Você não imagina o quanto fiquei lisonjeada, e de certa forma preocupada também, pois é grande a responsabilidade desta tarefa. Mas o bom de tudo isso é tornar a nossa amizade mais próxima, no sentido de sermos quase família mesmo. Isso tudo me deixa muito feliz!
Que Deus te abençoe, Ana Luisa! A dinda vai sempre rezar por você, para que você seja uma menina feliz e que torne o mundo um pouquinho melhor.
Com muito amor,
Fabiana
Nau e Zé,
Como vocês já devem imaginar, morri de chorar: primeiro, porque quase tudo que leio de Nau acaba desse jeito, com muita emoção (ainda mais no tom com o qual se referiu a Bito e Paula); segundo, porque através de meus filhos, conhecemos vocês e pudemos adotá-los também como nossos daí, terceiro, me considero AVÓ das minhas duas lindas xarás. Conclusão, ganhamos nós, Beto e eu.
Muito amor
Tia Ana
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